Janaina Torres Galeria estreia na SP-Arte Rotas, com projeto solo de sua nova representação: a artista Deborah Paiva (1950-2022). A galeria, que acaba de assumir o espólio artístico de Deborah, traz à feira obras da última fase criativa da artista, centrada na presença constante de figuras humanas imersas em uma atmosfera de introspecção profunda.
De 27 a 31 de agosto, acontece a SP-Arte Rotas, tradicional feira que ocupará, em 2025, a ARCA com cerca de 70 projetos curados, reunindo galerias, instituições culturais e iniciativas de arte contemporânea.
A Janaina Torres Galeria, que faz neste ano sua estreia na feira, apresenta, pela primeira vez, um conjunto de obras de Deborah Paiva (1950-2022). Os trabalhos, que poderão ser conferidos pelo público no stand A12, são parte do espólio artístico de Deborah, nascida no Mato Grosso do Sul, radicada em São Paulo, falecida em 2022 e que agora passa a integrar o programa da galeria.

A artista, ao longo de sua trajetória, foi reconhecida por críticos renomados como Angélica de Moraes, Lorenzo Mammì, Tadeu Chiarelli e Alberto Tassinari — construiu um percurso de rigor estético e sensibilidade, mantendo-se fiel à pintura como campo de reflexão e experiência. Sua obra foi apresentada em instituições como o MAM São Paulo, MAC Campinas, MAC USP, Centro Cultural São Paulo, Instituto Figueiredo Ferraz, Paço das Artes, Palácio das Artes, Centro Universitário Maria Antonia, Museu Lasar Segall, além de exposições individuais em galerias de referência.
Deborah Paiva na SP-Arte Rotas
O conjunto de trabalhos de Paiva, que tem co-curadoria de Alexandre Araújo Bispo e Janaina Torres para a SP-Arte Rotas 2025, é composto por pinturas a óleo sobre tela, em diferentes dimensões e formatos, pertencentes à última fase da artista, que destaca a presença contínua de figuras humanas imersas em uma atmosfera de introspecção perturbadora.
Tal linguagem utilizada por Deborah, desde 2010, e que conferiu assinatura às suas obras até o fim de sua produção, buscou formas estéticas sutis, delicadas e leves para exprimir estados densos como a solidão e o vazio. Bebendo em fontes inspiradoras como os artistas Tim Eitel e Edward Hopper, ela utiliza figuras humanas expressas em pinceladas contínuas e destaca a luminosidade “ácida e dura, sem ser passional e alegórica”, como disse a própria artista.

Paiva traz, nessa fase, principalmente figuras humanas em cenas cotidianas, na grande maioria das vezes, com o rosto encoberto, de costas ou de lado, ou ainda olhando para o infinito, sem jamais encarar o espectador. Com o passar do tempo, suas figuras humanas anônimas passam a estar cada vez mais imersas no espaço circundante e em si mesmas, habitando espaços silenciosos, de modo a destacar a solidão. Suas composições criam atmosferas de suspensão e introspecção, propondo uma fruição situada entre a delicadeza da superfície pictórica e a densidade dos temas. O estado de desalento e despersonalização também pode ser percebido nas telas de paisagem que, em menor número, integram essa fase de Deborah. Tal efeito é potencializado pelos tons ora vibrantes de azul, ora cinza, ora vermelhos, ora amarelos, mas quase sempre monocromáticos em cada obra. A luminosidade aprofunda a conexão entre figura e fundo, enquanto as pinceladas conferem a continuidade aparentemente sutil, mas cortante, do vazio.

Antes de chegar à linguagem que consagrou o ápice de sua produção, e será apresentada na SP-Arte Rotas, Deborah foi inspirada pela materialidade presente nas obras de artistas como Anselm Kiefer, Iberê Camargo e Jasper Johns, investigando a questão formal e a fisicalidade da pintura. Nessa primeira fase, ela utilizava tintas e elementos concretos diversos, como palha, areia, encáustica, para testar formas e pinceladas que resultaram em obras em grande escala focadas no campo da abstração e da paisagem. Em seguida, o aspecto figurativo humano começa gradual e lentamente a aparecer e ganhar força em sua produção, o que coincide com uma fase de transição técnica. No período, a artista ainda utilizava estiletes, vassouras de piaçava, entre outros, para retirar camadas de tinta que inicialmente colocava na tela e, assim, simbolicamente, se despedia do interesse centrado na questão formal e estética da pintura para focar-se na questão temática, que culmina na linguagem que poderá ser apreciada pelo público da SP-Arte Rotas.

Em paralelo à sua produção artística, Deborah construiu uma sólida atuação também como educadora na área das artes visuais, contribuindo para a qualificação e fortalecimento do setor. Ministrou cursos de formação de professores sob a orientação de Stela Barbieri e, por mais de uma década, conduziu o Ateliê Livre de Pintura Contemporânea no Instituto Tomie Ohtake, formando gerações de artistas e mediadores culturais. Em 2010, integrou o setor educativo da 29ª Bienal de São Paulo, compartilhando com a rede pública de ensino seu olhar e experiência nas artes visuais.

Fundada em 2016, a Janaina Torres Galeria aposta em um programa curatorial que reflete um contexto cultural amplo, em que a experiência estética se alinha a questões geográficas, políticas e sociais. A galeria difunde seus artistas com responsabilidade e comprometimento para que eles tenham seu legado reconhecido e respaldado pelas mais respeitadas instituições. A partir de sua missão de educar, aproximar e conectar artistas, curadores, colecionadores e amantes da arte, busca garantir um acesso verdadeiro dos mais diversos públicos a uma produção artística brasileira contundente e vibrante. São representados pela Galeria os artistas Andrey Guaianá Zignnatto, Antonio Oloxedê, Caio Pacela, Daniel Jablonski, Feco Hamburger, Helena Martins-Costa, Heleno Bernardi, Jeane Terra, Kika Levy, Kitty Paranaguá, Laíza Ferreira, Liene Bosquê, Luciana Magno, Marga Ledora, Osvaldo Carvalho, Pedro David, Pedro Moraleida, Sandra Mazzini e Deborah Paiva.
Serviço: Janaina Torres Galeria apresenta Deborah Paiva, na SP-Arte Rotas, de 27 a 31 de agosto, no stand A12, na SP-Arte Rotas. Local: ARCA. Endereço: Av. Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina. São Paulo – SP. Valores: R$ 100 (inteira) | R$ 50 (meia-entrada). Mais informações no site do evento.